01_foto-gabriela-daspu_foto-luiz-garrido
Gabriela no deleite da criação da Daspu Foto: Luiz Garrido
Daspu foi criada em 2005 pela prostituta Gabriela Leite, ativista e fundadora do movimento de prostitutas no Brasil. Criou a Daspu para dar visibilidade para o movimento e sustentabilidade às ações da organização Davida, fundada na década de 90. O jornal Beijo da rua nasceu no período pós ditadura, e até hoje é o único jornal que traz notícias do movimento brasileiro de prostitutas. Flávio Lenz jornalista e ex companheiro de Gabriela foi junto com ela o propositor do Beijo da rua e fundador da ONG Davida, além de fazer parte da criação da Daspu. É também autor do livro Daspu: A moda sem vergonha em que conta os bastidores e o frisson gerado com o surgimento da grife.
Com a repercussão e os afetos gerados pela sua proposição, acabou se tornando um dispositivo cultural que dialoga com as questões relacionadas ao corpo no embate com a sexualidade, gênero, e prostituição. Começou como uma grife de roupas, mas logo se tornou um movimento cultural que vem ocupando cada vez mais os espaços urbanos para tratar de temas relacionados à sexualidade, gênero e cidade.
Na junção da arte com o ativismo, Daspu é uma provocação para que possamos cavar espaços e criar territórios de existência a todos que exercem o trabalho sexual, revelando assim as conexões da prostituição na relação com o outro, com o espaço público, a arquitetura social, política e afetiva da cidade. Além de dialogar com uma pluralidade de linguagens com o intuito de ativar práticas que possam abrir um diálogo inter e trans-estéticos, articulando projetos e atividades políticas, éticas e sociais que cruzam as     fronteiras heterogêneas da nossa atualidade.
O Observatório da prostituição é um projeto de extensão do Laboratório de Etnografia Metropolitana – LeMetro/IFCS-UFRJ, que tem como objetivo fazer circular sentidos variados da prostituição e promover o pleno reconhecimento dos direitos das prostitutas à cidade e ao trabalho sexual. É um desdobramento deste ativismo no sentido de abrir espaços nas universidades que possam dialogar com a memória, a história e o conhecimento que vem sendo produzido desde o final da década de 70 pelas prostitutas, e que iniciou com Gabriela Leite.

Fotos da home: Daniela Pinheiro, Gabriela Feolla, Bob Sousa e Avati Castro