foto Gabi site

Gabriela Leite decidiu ser prostituta no inicio dos anos 70 durante a ditadura militar, quando cursava Ciências Sociais na USP. Nesta época frequentava o Bar Redondo, reduto paulistano boêmio que juntava intelectuais de esquerda e artistas. Movida pela “curiosidade e pelo desejo de uma revolução pessoal”, decidiu ser prostituta do baixo meretrício. A militância política começou no final da década de 70 no período da ditadura, quando organizou a primeira manifestação de prostitutas do país na Praça da Sé, em São Paulo, para protestar contra a perseguição e violência policial às prostitutas, gays e travestis. Em 1982, mudou para a zona do Mangue, no Rio de Janeiro, onde começou a ficar conhecida por se assumir como “puta”, o que marcou o início do seu trabalho como fundadora do movimento de prostitutas no Brasil. Em 1987 organizou o I Encontro Nacional de Prostitutas com Lourdes Barreto, principal liderança em Belém do Pará, norte do país. Em 1992 criou a organização Davida que atua na defesa e reconhecimento dos direitos das prostitutas, hoje um coletivo que atua com pesquisa, intervenções culturais, arte e direitos humanos. Como uma das principais lideranças do movimento organizado da categoria, contribuiu para criar mais de 20 organizações de prostitutas em todo o Brasil. Sempre gostou da palavra PUTA. Para Gabriela usar a palavra PUTA é uma forma de combater o preconceito e a moral conservadora que circunda a sexualidade e gera toda essa violência relacionada a forma como vivemos e encaramos nossa sexualidade. Em 2005, criou a Daspu para dar sustentabilidade as ações Davida e mais visibilidade para o movimento. Em 2009 lançou sua autobiografia Filha, Mãe, Avó e Puta, em que partilha os acontecimentos que marcaram de modo singular sua vida. Foi na prostituição que Gabriela inaugurou um pensamento e uma potência de vida que ainda hoje perturbam os códigos normativos da sexualidade. Com a palavra PUTA ocupou todos os espaços que uma puta pode ocupar: da academia à zona colocou do avesso o pensamento de muita gente que se atreve a encarar o desejo no campo da sexualidade.

 

Foto: Manoel Marques